O Viajante do Presente

Postei alguns vídeos do Alexandre Olive na minha timeline do Facebook, e vou seguir postando. Um francês bonitão numa bicicleta.

Que tem isso de mais?

Bem, ele é uma pessoa que está viajando. Ele usa uma bicicleta, veja só, e circula livremente por ruas, estradas, caminhos, praças. “Ele está viajando” – percebe, por assim dizer, “aonde quero chegar”?

Alex saiu de Paris em direção a Monaco. Está agora na região de Marselha. Logo estará
em Cannes, depois Nice e subirá uma das mais belas estradas do mundo até chegar a Montecarlo. Vai ser uma subida e tanto.

Ele está conversando com pessoas por onde passa, dorme na casa de pessoas que não conhece – ou que sim, depende.

Ele vem saindo de um lugar, indo para outro e depois outro, e nenhum deles é necessariamente uma farmácia ou mercado.

Ele está viajando por vilas e cidades, por um caminho que antigamente (seis meses atrás) trataríamos como “turístico”.

Por isso, ele está tirando fotos e fazendo vídeos perto de cabras, castelos, pontes, vacas, perto de pessoas, perto de pessoas que ele não conhece. Nem aquelas cabras da semana passada ele conhecia.

Nas nossas, nas suas conversas, quase todas virtuais, “viajar” é uma ideia remota, pertencente a um pretérito perfeito ou a uma projeção longínqua de futuro. Todos nos tornamos, em variada medida, viajantes do futuro – mais precisamente, viajantes do futuro do pretérito.

Mas, então, surge um viajante no presente, tão no presente que praticamente resgata um momento de glória para o gerúndio: ele está viajannnnndo.

A viagem de Monsieur Olive, com todo seu charme e carisma, fica entre o esperançoso e o perturbador, entre o gesto libertário e o estranhamente inesperado. É o registro de um agora improvável neste nosso eterno presente imediato da pandemia.

É uma viagem histórica e ele nem percebe.

Merci beaucoup, mon chèr.

Caio Leonardo

PS.: Conheci A. O. no TGV de Paris a Bruges, seis verões atrás, quando até eu viajava.

PS 2: Quatro anos depois, coitado, ele veio ao Brasil, perdeu-se no cerrado e levou 12 horas para ir de Brasíla a Alto Paraíso.

PS 3: Eu era o motorista.

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