Amor, Sol e a Pata da Aranha

“Amor incondicional” é o novo “calor senegalesco”, como se não existisse mais dúvida nem medida, como se não existisse um calor mais ou menos, lá pelos 26° C, um amor de perdição, o vento noroeste de Santos, o amor que divide, o sol das três da tarde em Brasília, o amor que vai embora, o meio-dia de Janeiro no Rio, o amor de Fevereiro, tudo justo quando menos se ama e mais desequilibrado o mundo das relações humanas se encontra; justo em meio ao aquecimento global.

O lugar-comum é a dispensa da reflexão, o abandono do olhar autêntico, é a preguiça de viver, a ilusão de que repetir uma fórmula vai conter as forças caóticas do universo.

Ler mais uma vez “amor incondicional” acaba sendo como misturar asa de morcego, pata de aranha, olho de coruja e sumo de carqueja no velho caldeirão do auto-engano.

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