Pode-se supor que o ataque à Venezuela interesse à China e à Rússia.
Porém…, esse não é o mundo que China tem como projeto. Formosa é território chinês com legitimidade histórica e documental, o que não se repete com Venezuela nem, documentalmente, com Ucrânia.
O regime change imposto agora à Venezuela repete Mossadegh, mas não Ucrânia nem a trégua na guerra civil entre China Popular e República da China.
China quer mundo multipolar, o que importa em negar colonialismo; Rússia quer segurança territorial, o que implica defesa contra o colonialismo militar da OTAN; enquanto os EUA adotam explícito movimento colonial no sentido de depor governo e explorar as riquezas do território atacado.
A América do Sul, que não era palco de guerra desde, não sei, o século 19?, agora sofre uma invasão abertamente colonialista.
Venezuela está longe demais de China e Rússia, para estes virem em seu socorro. Não é o mesmo quadro para a Ucrânia, que recebe ajuda militar da Europa e (menos agora) dos EUA. Tampouco é o quadro para Taiwan, com toda a presença americana no Índico e no Pacífico.
A América do Sul era a periferia da América do Norte. Com esta tornando-se periferia da Ásia, tornamo-nos periferia da periferia. Somos o “não-lugar”,
expressão já usada por alguém.
E um “não-lugar” é aquele em que vale qualquer coisa.
2026 começa com o Brasil sob ameaça de
intervenção, sim. Não para apoiar os bolsonaros, mas quem alinhe-se com interesses de Trump.
Todos deveriam estar repetindo a pergunta de Stálin: “Quantas divisöes tem o papa?”.
Caio Leonardo
