6 de Novembro de 2024: O dia em que o mundo acabou

O Grande Império do Norte colapsou hoje. A eleição de Donald Trump são as teses de Lutero pregadas na porta de um céu de satélites artificiais. Uma ordem começa a ruir rapidamente a partir de agora, assim como ruiu o domínio papal com algumas marteladas reformistas na madeira. Ao lado do símbolo alaranjado da decadência, na data de hoje, estava o novo imperador de todas as Terras.

I – Este Lado

Os EUA têm tudo para se dissolver em estados menores. A Europa, também.

A diferença é que a América Central vai invadir os EUA,
não a Europa. Esta vai ser invadida pela África. Dois processos já em curso.

Povos (gentes, multidões) e não monarcas, menos ainda aristocracias, a inviabilizarem a ordem e a reinstaurarem o feudalismo no formato antecipado pelo crime organizado no Brasil – este, aliás, o nosso destino: feudos pentecostais ou libertinos, a separar rua de rua, micropoderes violentos e sórdidos, saberes e instituições se dissolvendo, ora em pensamentos mágicos, ora em carnagem límbica.

II – O Outro Lado

A China é o futuro de um pretérito perfeito: será o que foi e deixou de ser – o lugar das maiores riquezas do mundo.

A Rússia continuará sendo o que sempre foi: o MDB do mundo, o Pedro 2° do planeta, o poder moderador da humanidade. Sem modos, no entanto.

III – Sicut in Caelo et in Terra

A grande novidade será o exercício – concretamente celestial – do poder sobre a Terra – o planeta.

Poder exercido pelo detentor único, onipotente, incontrastável, imperceptível, subestimado, discreto e espalhafatoso, ridicularizado e ridicularizante; criador, instalador e beneficiário absoluto da já onipresente versão humana da Esfera de Dyson: o Carvalho Almiscarado reinará sobre tudo que hoje está vivo até a consumação dos tempos.

A Esfera de Dyson de Elon Musk é tão transparente e evidente como os satélites que a compõem. A Esfera do Carvalho não rodeia o Sol, mas a Terra; a esfera do Almiscarado não absorve toda a energia de uma estrela em favor de uma civilização, mas sim controla e detém o poder de permitir fazer uso de toda energia e riqueza da Terra em favor da sua mente.

IV – O Anti-Homem e Aquele Acima Dele

Napoleão ousou, na cerimônia em que foi ungido imperador, pegar a coroa das mãos do representante da igreja (ou seja, do representante da eternidade, do poder divino) e usar suas próprias mãos para coroar-se a si mesmo. Com esse gesto, unia o Permanente e o Transitório, o Divino e o Secular, o Eterno e o Temporal. E não se submetia a poder algum, humano ou transcendental.

Que ninguém se engane: Elon Musk não precisou de qualquer gesto para assumir o poder sobre tudo que é humano, aí incluso a manifestação do divino.

E. M. apenas está vivo, sendo quem é e fazendo o que faz, no dia em que o Anti-Homem foi eleito.

Trump é instrumento não para realizar, mas para tornar inevitável a ascensão de Musk ao controle absoluto.

V – A Ilusão do Exagero

Existem ONU, OTAN, União Europeia, Direito Internacional Público, Tribunais Internacionais, bombas atômicas, balas de revólver, facas, carros na rua, lobos solitários, eventos climáticos extremos, ratos, amantes, Escherishia coli: Nenhum poder é absoluto, todo homem pode morrer e, com ele…

Todo homem pode morrer… ainda?

Epílogo – Et Nunc et Semper

O poder do Imperador Artificial talvez já seja imortal. Assim como Musk é o almíscar artificial; Elon talvez já seja a mente artificializada e posta em rede em torno do planeta.

Starlink – a “ligação com a estrela” – é um nome muito bom para substituir a expressão “Esfera de Dyson”. A álgebra do poder pós- Terra (é o que estamos vivendo) tem seu enigma resolvido: x = X. E nem mais um pio (ou tweet). Porque não existe mais a comunicabilidade que Habermas defende, porque tudo é comunicado ao mesmo tempo em todo lugar por todos – aparelhos, aparatos ou humanos. Tudo é ruído. Tudo diverte na ordem subvertida absoluta e irremediavelmente.

Tudo é divino, tudo é maravilhoso.

P.S.: A não ser que deixemos de depender de Tesla, abandonando toda esperança no evangelho do eletromagnetismo.

P.S. 2: E a China diante disso tudo? Continuará Zhongguo: o País do Centro do Mundo – e que passe bem o que não for seu mundo.

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